Lideraça, Comunicação, tecnologia, desenvolvimento pessoal, João Palmeira,
builderall


Tomada de Decisão: A Habilidade que Define Líderes e Organizações

Todos os dias, tomamos milhares de decisões ? conscientes ou não. Estudos indicam que um adulto chega a tomar cerca de 35 mil decisões por dia (University of North Carolina). A maior parte delas é simples, como escolher o que vestir ou o que comer. No entanto, algumas têm impacto profundo e de longo prazo: contratar um colaborador, investir em um projeto, decidir uma fusão ou até mudar de carreira.

A diferença entre líderes eficazes e medianos está diretamente relacionada à qualidade e à consistência das decisões que tomam.

Mas o que significa, de fato, tomar uma decisão?

Tomar uma decisão vai além de escolher entre alternativas. Significa avaliar riscos, analisar cenários, lidar com incertezas e assumir responsabilidades.

Como afirmou Peter Drucker:


?Sempre que você vê um negócio bem-sucedido, em algum lugar alguém tomou uma decisão corajosa.?

Muitos fatores influenciam nossas decisões. Pare e reflita sobre as duas últimas decisões importantes que você tomou, nos últimos meses: elas foram acertadas? Poderia ter escolhido melhor? Sim ou não? Por quê?

Recentemente, passei por um processo de tomada de decisão desafiador. Eu precisava escolher entre duas cuidadoras para minha mãe: uma tecnicamente competente, porém com pouca habilidade para criar vínculos emocionais; e outra menos preparada tecnicamente, mas com maior capacidade de estabelecer vínculos mais profundos. Esta última teve um comportamento que me deixou em dúvida quanto ao seu comprometimento com a agenda.

Recorri a uma reflexão profunda, consultei uma pessoa de confiança e pedi à minha mãe que compartilhasse seus sentimentos sobre ambas. Precisei conciliar a razão e o coração para decidir.

Alguns dos elementos a seguir costumam estar presentes em nossas avaliações:

Existem muitos exemplos, no mundo empresarial, em que a tomada de decisão foi determinante para a trajetória das organizações. Algumas alcançaram resultados expressivos; outras, porém, fracassaram.

A Kodak, nos anos 1990, ignorou a fotografia digital por estar presa ao viés de confirmação de que o filme sempre dominaria o mercado. O resultado foi a perda de relevância e a quase extinção da empresa.

A Netflix, por outro lado, fez a transição ousada de DVDs para streaming, mesmo quando a mudança parecia arriscada. Hoje, tornou-se líder mundial em entretenimento.

Existem diversas técnicas e ferramentas que podem auxiliar no processo de tomada de decisão. Ao longo dos últimos 27 anos, tenho procurado aprendê-las e praticá-las em minha gestão. Em cada momento do negócio ? ou mesmo da vida ? uma ou outra se mostrou mais adequada.

Entre as muitas ferramentas disponíveis no mercado, destacam-se algumas das mais conhecidas:

  1. Matriz de Eisenhower ? permite separar o que é urgente do que é importante.
  2. Técnica dos 5 Porquês ? ajuda a identificar as causas reais antes de agir.
  3. Árvore de Decisão ? auxilia na projeção de cenários possíveis.
  4. BATNA e ZOPA (Harvard) ? orientam para negociações mais estratégicas.
  5. Pensamento Crítico ? promove o questionamento de suposições e amplia as perspectivas.

Os pilares da inteligência emocional são fundamentais em nosso papel de tomada de decisão. Conhecê-los nos ajuda a compreender nossos comportamentos e todas as variáveis que influenciam nossas escolhas.

Segundo pesquisa da TalentSmart, 90% dos profissionais de alta performance apresentam elevado nível de inteligência emocional.

Esse fator impacta diretamente a tomada de decisão, pois líderes emocionalmente inteligentes:


Entre os muitos exemplos que poderiam ser citados, está o de Satya Nadella, que, ao assumir a Microsoft em 2014, optou por reposicionar a cultura organizacional: de uma lógica de competição interna para uma de colaboração. Essa decisão estratégica resultou em um aumento de mais de 300% no valor de mercado da empresa.

Um dos maiores desafios da atualidade é tomar as melhores decisões em meio a um período de rápidas mudanças e grande incerteza. Em tempos de crise ou de transformação, a qualidade das decisões torna-se ainda mais crítica.

Líderes eficazes costumam apoiar-se em três princípios fundamentais:

  1. Cenários múltiplos ? prever o melhor, o pior e o mais provável;
  2. Limites claros (BATNA) ? saber até onde negociar;
  3. Reversibilidade ? optar por caminhos que permitam ajustes, se necessário.

Há pouco mais de 60 anos, John F. Kennedy optou por uma estratégia de bloqueio naval e negociação diplomática durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. Essa decisão evitou uma guerra nuclear e tornou-se um exemplo clássico de gestão sob extrema pressão.

Muitas decisões importantes podem nos conduzir a erros comuns. É necessário estar atento a alguns deles, entre os quais destacam-se:

Eu o convido a refletir sobre as importantes decisões que tem tomado em sua vida. Quais delas você mudaria, se pudesse? Quando foi a última vez que tomou uma decisão realmente difícil? Como chegou à conclusão?

Você costuma equilibrar dados, emoções e intuição em seu processo decisório ou tende a privilegiar um deles? Quais vieses cognitivos mais afetam suas escolhas? Como garante que aprende com suas decisões passadas?

Se tivesse de reavaliar uma grande decisão dos últimos cinco anos, faria algo diferente?

Tomar decisões é a essência da liderança ? no trabalho e na vida. Empresas que prosperam são aquelas que aprendem a decidir de forma ágil, consciente e estratégica. Pessoas que buscam equilíbrio procuram utilizar os pilares da inteligência emocional a seu favor.

Líderes e indivíduos que dominam a arte de decidir equilibram lógica e emoção, análise e coragem, dados e empatia.

Em última análise, as decisões moldam destinos ? de pessoas, equipes e organizações inteiras.


Boa reflexão!