Lideraça, Comunicação, tecnologia, desenvolvimento pessoal, João Palmeira,
Você já se percebeu criando desculpas para não realizar algo?
Na psicologia, esse fenômeno é conhecido como self-handicapping (autosabotagem). Trata-se de comportamentos ou decisões que reduzem deliberadamente a probabilidade de sucesso, criando justificativas antecipadas para um eventual fracasso.
No Vídeo, o painel está ali ? visível e, em tese, acessível ?, mas o próprio indivíduo impede o acesso. O problema não é o sistema, a tecnologia ou o ambiente. O problema está na posição escolhida.
Berglas e Jones demonstraram que indivíduos que antecipam a possibilidade de fracasso tendem a criar obstáculos para proteger a autoestima. O custo oculto desse mecanismo é a redução consistente do desempenho ao longo do tempo.
Nas organizações, esse padrão manifesta-se de maneira sutil, porém recorrente:
· Evitar conversas difíceis (feedbacks, alinhamentos e conflitos);
· Procrastinar decisões relevantes;
· Deixar de pedir ajuda, mesmo havendo recursos disponíveis;
· Permanecer em narrativas de vitimização;
· Culpar o contexto antes de revisar a própria postura.
Assim como na imagem, o ?painel de controle? existe: competências, ferramentas, pessoas e informações estão disponíveis. No entanto, a forma como o indivíduo se posiciona emocional e mentalmente bloqueia o acesso a esses recursos.
Modelo conceitual associado
Locus de Controle (Rotter, 1966):
Indivíduos com locus de controle externo tendem a atribuir seus resultados a fatores externos, mesmo quando suas próprias escolhas são determinantes.
Outro elemento simbólico da imagem são as grades, que representam com precisão o papel das emoções mal reguladas.
De acordo com o modelo de Regulação Emocional de Gross (1998), quando emoções como medo, ansiedade ou orgulho defensivo não são adequadamente geridas, elas passam a restringir o campo de ação, limitando escolhas e alternativas ? exatamente como uma grade limita o movimento.
No contexto profissional:
· O medo de errar bloqueia a inovação;
· O orgulho bloqueia o aprendizado;
· A ansiedade bloqueia o foco;
· O ressentimento bloqueia a colaboração.
A literatura sobre produtividade é clara: desempenho sustentável exige clareza interna.
Estudos de Baumeister et al. (1998) indicam que a autorregulação é um recurso limitado. Quanto mais energia é consumida na sustentação de narrativas defensivas ou na evasão de responsabilidades, menos energia permanece disponível para executar, decidir e liderar.
Líderes que se posicionam ?à frente do painel? frequentemente:
· Centralizam decisões desnecessariamente;
· Não delegam;
· Criam gargalos operacionais;
· E, posteriormente, reclamam da sobrecarga.
?Quantos problemas você cria para si mesmo??
Sob a ótica da ciência do comportamento, essa pergunta remete diretamente a:
· Autoconsciência (self-awareness);
· Responsabilidade pessoal;
· Maturidade emocional;
· Capacidade de autorregulação.
Sem esse nível de reflexão, o indivíduo passa a lutar contra sistemas, pessoas e contextos quando, na realidade, o primeiro ajuste necessário é interno.
Uma pergunta poderosa para líderes e equipes, inspirada diretamente na imagem:
· Onde estou me posicionando de modo a bloquear o acesso às soluções?
· Que comportamento meu estou defendendo, embora ele já não seja mais funcional?
· Se eu alterasse apenas a minha posição, o que se tornaria possível?
A imagem não trata de tecnologia, elevadores ou painéis. Ela trata de postura.
Na vida e na liderança, muitas vezes:
· O problema não é a falta de controle; é a posição que escolhemos ocupar.
Mudar resultados começa, quase sempre, por sair da frente do próprio painel.
Faça uma breve autoavaliação.
Boa reflexão!